segunda-feira, 21 de abril de 2014

Reflexões de um ébrio

O copo voltava mais uma vez para o balcão. O uísque barato lhe passava pela garganta como água – no estado em que ele se encontrava, poderia dar no mesmo – e pediu mais uma dose.
Foi um dia horroroso, desde a hora que acordou. Dia estressante no trabalho, discussão de relacionamento pelo telefone, todos por motivos minúsculos. A única solução encontrada foi se esconder no seu lugar favorito: um bar perdido no subúrbio da metrópole, daqueles que eram o próprio retrato da decadência, se esta tivesse um rosto.
Gostava de ir ali por causa dos tipos de pessoas que ali frequentavam. Amantes, jovens rebeldes, alcoólatras interessantes e várias espécies de homens que assim como ele, tinham uma vida excessivamente normal: trabalhavam o dia todo, tinham uma lista de contas para pagar, família para sustentar e em um momento de horror à essa vida chata afogavam seus pensamentos em uma mesa de bar.
Após a análise dos seus clientes, ele se detinha em olhar a decoração do local. Era uma viagem de volta às décadas de 80 e 90, caindo aos pedaços. Mas a nostalgia da juventude vinha de uma forma tão proveitosa que as velhas paredes se tornavam grandes telas dos sonhos perdidos.
Embora fosse tão decadente, acolhia com tanto amor e tanta compreensão todos aqueles problemas, medos e dúvidas, além de ser cenário da maior parte de suas grandes decisões. Ninguém sabia desse lugar, nem mesmo o melhor amigo. Ali era a exceção do resto, o oásis no meio do deserto cinzento.

Ah, a bebida já começava a lhe causar enjoos. Ou seja, era a hora de voltar para o mundo real e aos velhos costumes e percursos. Pagou a conta e saiu resignado, pronto a enfrentar o que lhe esperava no seu mundo feito de encontros e desencontros.

domingo, 20 de abril de 2014

Frases extraídas de meus delírios

Não olhe tanto para trás, não deixe sua vida em meia-fase. Não seja igual a todos, nem seja tão distante do mundo. Entre no seu ritmo, ouça a sua música tocar. Siga os seus instintos, corra, freie, pare ou não faça nada, seja dono de suas decisões. Seja protagonista do seu espetáculo, mas não esqueça dos coadjuvantes. Escreva teus versos sem censura, crie mensagens nas entrelinhas, não se importe em ser compreensível. Afinal, seus delírios podem não ser compreensíveis.