domingo, 24 de fevereiro de 2013

O compasso da chuva


A chuva caía ininterruptamente.
Havia algo de diferente naquelas gotas,
Vinham assim, sem a menor cerimônia.
E lava tudo: a calçada, as pessoas, a alma.

O cheiro de terra molhada,
Resgata a doce infância
Que cansada de ficar guardada na memória
Resolve se manifestar com lindas lembranças.

Começara com uma leve brisa
Que fazem as árvores dançarem
Vem discreta e como em um compasso natural
Cada folha cria vida e a dança se inicia.

Mas, como num passo em falso
O vento se torna impetuoso
Cheio de caprichos
E causador de destruição.

Daí voltamos para a chuva,
Agosra mais branda
Já brincou conosco
E se despede travessa
Pronta para brincar em outro lugar
Com a promessa de um dia voltar.