quinta-feira, 26 de abril de 2012

Amnésia

Esqueci teu nome
E tudo o que me faz lembrar você
Queimei todas as fotografias
Lancei ao vento todas as promessas não cumpridas
As brigas não resolvidas
A alienação amorosa
E todo o sentimento que restou desses longos anos...
Não assisto mais aqueles programas de televisão
Joguei fora todos aqueles filmes
Rasguei todos os poemas..
Não te reconheço na rua

Por que falo de ti?
Embora tenha me esquecido de tua existência,

A única coisa que restou de ti, caro desconhecido
Foi uma cicatriz
Invisível aos seus olhos insensíveis,
Deixou marcas indeléveis
Essa cicatriz é minha fraca ligação contigo, caro desconhecido
Ligação esta que eu desejo apagar mas que ficará comigo para todo o sempre.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rascunho


Queria sonhar sem colocar os pés no chão
Poder dizer não aos meus medos
Nadar como um peixe
Voar como um pássaro
Ter a liberdade do vento
Queria não precisar das tais explicações
Não ouvir exigências desnecessárias
Lutar contra tudo o que é ruim
Ser feliz e mais nada.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Acomodação


 Era essencial que seus pés não tocassem o chão, os ouvidos se concentrassem na chuva que caía ininterruptamente e que o sono viesse logo. Sentia o cansaço do dia estressante, do trânsito caótico, das cobranças e da rotina estafante. Ele não estava lá, esperando-a como sempre. A casa permanecia vazia, nenhum barulho de panelas e nem o cheiro delicioso do jantar de todas as noites.
“O que fiz da minha vida?” ela perguntava sempre que notava o vazio da casa. Não fora honesta ao dar o ponto final, sabia que não estava pronta para isso. Afinal, ninguém está pronto para sofrer os tais golpes do destino. Não queria recordar a conversa, as reticências, os ânimos alterados e, no fim, o silêncio. O vazio.
Levantando-se da cama, resolveu sair de casa para simplesmente andar. Não importava as dores físicas e emocionais, nem o cansaço. A chuva era salvadora.
Pegou o casaco e saiu. Andou pelas ruas movimentadas, sem ouvir ou sentir absolutamente nada. Não ouviu os gritos quase surdos de uma voz conhecida, até que a tocasse. Ao se virar era ele. Impassível e imprevisível, sereno e doce ao mesmo tempo.
Falaram de coisas triviais, se distanciando do movimento. Chegando à porta da casa, se olharam pela primeira vez depois de muito tempo, mas alguma coisa havia mudado. O sentimento obsessivo de antes se transformou em uma serena lembrança de algo distante, irreal. Entendeu que não era a dor da perda: era acomodação. Ela não precisava dele para amar e ser amada, mas sim para satisfazer seus caprichos juvenis.
 Suas dores sumiram instantaneamente. A luz no fim do túnel significava que ela estava livre, para amar e para permitir que ele seguisse seu caminho. Sentindo essa leveza, despediu-se dele com um sorriso e partiu.
O amor é livre, diferente da acomodação ou do sentimento de posse. Amar é se sentir feliz ao ver o outro feliz, livres como pássaro, mas unidos por um laço tão forte que nem o tempo pode separar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uma reflexão rápida

Durante uma prova, havia uma questão que intriga muitos até hoje: se seria a favor ou contra viver em sociedade. Diante deste desafio, escrevi estas linhas:
Desde o nascimento, somos acostumados a viver em sociedade. São inúmeros os benefícios e os malefícios, mas certamente muitos não iriam aguentar uma vida solitária.
Comecemos então pelos benefícios, que poderia arriscar com certeza que são mais numerosos que os malefícios: a troca de conhecimentos e experiências, a chance de continuação da espécie, maior facilidade para alcançar objetivos e talvez a mais importante: buscar a felicidade.
Porém, como tudo na vida existe o lado bom e o lado ruim, a vida em sociedade também traz malefícios inevitáveis, como a competição cada vez mais crescente e desleal, os tributos, a falta da individualidade (nos documentos, por exemplo, somos transformados em números, perdendo nossa identidade), e também a violência, que pode ser gerada a partir da competição ou do conflito de interesses.
Mas não devemos nos esquecer de que, embora o convívio social seja cheio de malefícios, todos nós viemos de um laço familiar muito forte, que por si só já nos impediria de viver sozinhos. E a chance de ser feliz se multiplica a cada dia, aprendendo, convivendo com pessoas diferentes, caindo e levantando, fazendo com que se abra um leque que sozinhos nunca iríamos abrir.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sem título...

Deixemos as reticências para os apaixonados,
Os pontos de interrogação para os desesperados,
As exclamações para os surpresos,
E os erros para os alucinados.

Abandonemos o arsenal,
Joguem fora todos os símbolos do mal.
Sejamos fortes, vamos à luta!
Deixemos os preconceitos de lado
E todas as armaduras que possam te machucar.
Chore quando não mais aguentar,
Grite para derrubar barreiras...

Mas nunca deixe de amar
Muito menos de sonhar
Porque, desde que mundo é mundo,
Foram os sonhos que nos moveram
E que ainda vão transformar.