segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Desgaste

Tudo me parece tão... vazio.
Pessoas vazias
Falta de conteúdo
Falta de sentimento
Onde estarão as demonstrações de amizade?
É apenas uma questão de interesse
Procura incansável pelo lucro, talvez
Ou a busca de um pouco de vergonha na cara
Para não parecer tão pífio.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Olhares

Estava apressada naquela manhã. Ela praticamente corria com seus livros, e não viu o homem em seu caminho, tendo como consequência um grande tombo. Ele, muito gentil, ajudou-a a recolher seus livros e perguntou se ela estava bem. Naquele momento, ela reparou no semblante que estava a sua frente. Olhos claros, cabelos castanhos, feições feitas por anjos. Completamente seduzida, respondeu qualquer bobagem, pediu desculpas e continuou seu caminho.
Chegando na faculdade, nova surpresa. O homem que derrubara era o novo professor de sua matéria preferida... Ambos pareciam estar igualmente desajeitados com a situação. O tempo foi passando e se tornaram amigos, mas sempre com a polidez e o respeito que deveria existir naquele ambiente.
Mas, essa espera doentia e apaixonada acabou quando o fim do curso se aproximava. Ela já não aguentava manter apenas para si todo este sentimento que a movera tão apaixonadamente para as aulas, e ele, não suportava a ideia de perdê-la sem ao menos dizer o que sentia.
Então, em uma noite em que a chuva era tão forte que a visibilidade era quase nula, ele a viu. Ela protegia os livros da chuva que não parava de cair...
Gentil como sempre, ele ofereceu uma carona para ela, que, com medo de ficar sozinha ali daquele jeito, entrou. O trânsito estava deliciosamente congestionado. A conversa era trivial, mas um outro assunto pairava no ar quente daquele carro. À medida que a conversa mudava de rumo, o trânsito lá fora parecia ter sumido... os olhares se encontraram, intensos, e o primeiro beijo aconteceu, como se fosse o remédio de uma longa febre, que acabava ali. Aquele momento parecia mágico, inacabável... o amor contido, a paixão avassaladora estavam à flor da pele. O trânsito melhorava e assim, chegaram à casa dela, onde os beijos, abraços se multiplicaram, agora acompanhados pelo vinho, que os deixava leves e entregues aos prazeres daquela noite, que acabava de começar...


domingo, 7 de agosto de 2011

A função das janelas

Olhei pela janela naquele dia escuro, pensando em várias desculpas para não sair de casa. Me arrumei lentamente... mas o relógio não estava querendo colaborar: 6:30. Peguei minhas coisas e saí, rezando para não perder o ônibus.
O dia estava com uma neblina espessa, mais claro mas, mesmo assim, não era animador.
Durante minha caminhada matutina até o bendito ponto, observei que as pessoas não aceitam adaptações. Ouvia apenas reclamações sobre a falta de visibilidade, sobre o frio ou até mesmo sobre o motor do carro que demorava a esquentar.
Eu, pelo contrário, estava achando o máximo. Aquele clima de mistério, como em filmes policiais... A neblina, a rua vazia e um assassinato misterioso. A mente viajou e quase que perco o ônibus.
Pensando em tudo que vi naquele dia, chego a conclusão de que as pessoas estão ficando loucas. Estão tão interessadas em seguir sua rotina que nunca pensam pelo lado bom das coisas... A função das janelas, para estas pessoas, é a de trazer a brisa quente do verão ou proteger a casa dos ventos que anunciam tempestades. Elas nunca olham para a linda flor que cresce no jardim, no sol alegre da manhã ou as gotas de chuva que escorrem pelo vidro.
O caminho que o ônibus seguia era tão bonito em alguns pontos que cheguei a pensar que aquela não era a cidade que sempre vivi. As alterações no terreno faziam com que eu enxergasse lugares que eu tinha acabado de passar e que me pareciam escondidos no meio das dezenas de casas e prédios...
Ah, se as pessoas vissem como é simples viver... O tempo passa tão rápido, e quando elas querem olhar pela janela, já é tarde demais...
Abra os olhos! Veja o lado belo das coisas!
Faça isso ou será tarde demais...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Resposta a um leitor

PARTE 1
Quem é essa garota, que anda tão séria na rua?
Para onde ela vai?
Qual grupo ela pertence?:
Será a patricinha,
A sentimental, que tudo registra,
A nerd, que tudo sabe
A garota do fundo da sala,
Ou aquela que adora uma festa a qualquer hora?

PARTE 2
Respondendo às tuas perguntas, caro amigo
Sou a garota efêmera
Cheia de fases como a lua
Que sabe quais caminhos deve seguir
Que chuta pedras, tropeça e levanta.
Sou o sol, o vento, a chuva....
Sou a caçadora de mistérios...
O defeito mais grave, creio eu
É amar tanto as pessoas
E não ser amada por nenhuma.